O cheiro de pólvora ainda pairava no ar. A cidade de Yokohama ardia ao longe, enquanto o ronin caminhava lentamente pelas ruas de terra batida, sentindo o peso da sua lâmina ensanguentada nas costas. Não havia honra em seu nome, apenas cicatrizes. Ele não pertencia a lado algum — nem ao xogunato, nem aos revolucionários, nem aos estrangeiros. Ele era uma sombra entre impérios em queda. E seu destino, incerto, era moldado por suas escolhas. Assim começa a jornada em Rise of the Ronin.
Muito mais que um jogo, Rise of the Ronin é uma experiência visceral de liberdade, conflito e transformação. Desenvolvido pela renomada Team Ninja, conhecida por títulos como Nioh e Ninja Gaiden, o jogo foi lançado exclusivamente para PlayStation 5 em março de 2024, chegando ao PC via Steam em 2025. Desde então, conquistou fãs de RPG de ação em mundo aberto, principalmente os apaixonados por história japonesa, combate com katanas e decisões morais profundas.
Uma era turbulenta: o fim do xogunato Tokugawa
Para entender Rise of the Ronin, é preciso mergulhar na época que o jogo retrata: o Bakumatsu, período final do xogunato Tokugawa, entre 1853 e 1867. O Japão, então isolado por séculos, é forçado a se abrir ao mundo ocidental após a chegada das “black ships” dos EUA. Com isso, o país mergulha em um caos político, social e cultural.
As cidades de Edo, Yokohama e Kyoto são o pano de fundo dessa revolução — locais vivos, vibrantes e divididos por ideologias. Enquanto alguns defendem a tradição, outros abraçam a modernidade. Nesse cenário, o jogador assume o papel de um ronin, um samurai sem mestre, livre das amarras de qualquer facção, mas profundamente marcado por seu passado.
O ronin e a escolha: liberdade com peso
A história de Rise of the Ronin é altamente personalizada. Desde o início, você escolhe entre os Blade Twins, dois irmãos com laços profundos e um destino comum. Após a tragédia que destrói sua vila e mata seus mentores, você é acolhido pelo grupo rebelde Veiled Edge, uma organização secreta que se opõe ao xogunato.
A partir daí, o jogador é livre para seguir caminhos distintos. As escolhas importam — e esse é um dos grandes gatilhos mentais explorados pelo jogo: liberdade com responsabilidade. Você pode poupar ou assassinar figuras históricas reais, trair aliados ou construir laços profundos, apoiar o regime feudal ou as potências ocidentais. Cada ação altera os rumos da narrativa, levando a múltiplos finais e repercussões duradouras.
Combate visceral e tático: a dança das lâminas
Quando a lâmina toca a carne, o tempo parece parar. O combate de Rise of the Ronin é um espetáculo de precisão, força e fluidez. A Team Ninja aproveitou sua expertise em jogos como Nioh para criar um sistema de luta robusto, porém acessível.
O grande destaque é o Counterspark, um sistema de parry que permite rebater ataques inimigos com precisão cirúrgica, drenando o Ki (estamina) e abrindo espaço para contra-ataques brutais. Os confrontos são intensos, sangrentos e exigem paciência. O jogador deve aprender o ritmo de cada inimigo, dominando as aberturas e reconhecendo padrões — um verdadeiro gatilho de recompensa por maestria.
As armas variam entre katanas, bayonetas, lanças, arcos, pistolas, e até um exótico lança-chamas Fire Pipe, refletindo o Japão em transição entre o medieval e o moderno. Essa combinação de armamento tradicional com armas de fogo cria duelos únicos e estratégicos, desafiando o jogador a se adaptar constantemente.
Mundo aberto realista e imersivo
Ao contrário de muitos RPGs de mundo aberto que apostam em mapas gigantescos e vazios, Rise of the Ronin escolhe a profundidade. As cidades de Edo, Yokohama e Kyoto são recriadas com riqueza de detalhes, desde mercados e templos até becos e campos de batalha. A ambientação histórica é respeitada, trazendo costumes, arquitetura e personagens verossímeis.
Você pode explorar a cavalo, escalar paredes com ganchos ou planar com a engenhoca Avicula, dando mais mobilidade e verticalidade às missões. A sensação de liberdade é reforçada pelo fato de que nenhuma missão é obrigatória: você escolhe o que fazer, quando e como.
Interações simples, como acariciar gatos vadios, tirar fotos de monumentos ou ajudar civis, recompensam o jogador com itens especiais e pontos de habilidade. Nada é gratuito — tudo tem propósito. Isso ativa o gatilho mental da reciprocidade, onde o jogador é recompensado por se engajar com o mundo de forma genuína.
Sistema de progressão e personalização
O RPG não vive só de espadas afiadas. Em Rise of the Ronin, o crescimento do personagem é amplo e flexível. O sistema de atributos permite moldar o estilo de jogo: força bruta, agilidade, técnica com armas de fogo ou inteligência emocional (que influencia diálogos e relações).
Armaduras, armas e equipamentos podem ser customizados com materiais obtidos nas missões ou forjados por mestres artesãos. Além disso, o ronin pode formar alianças, melhorar sua reputação com facções locais e até se envolver romanticamente com personagens secundários — tudo isso impacta a narrativa.
Modo cooperativo e rejogabilidade
Apesar de ser focado na experiência single-player, Rise of the Ronin inclui um modo cooperativo online para até três jogadores. Isso permite realizar missões difíceis com amigos, dividindo estratégias e loot. E com quatro níveis de dificuldade, o desafio pode ser ajustado ao gosto do jogador — do casual ao hardcore.
A grande sacada, no entanto, é a rejogabilidade baseada em escolhas. Com múltiplas rotas narrativas, diferentes alianças e finais distintos, o jogo convida o jogador a recomeçar, experimentar novas decisões e explorar o que antes ficou oculto.
Um jogo com alma — e imperfeições
Nem tudo são flores. A versão de PC, lançada em março de 2025, enfrentou problemas de performance, incluindo quedas de frame rate, texturas carregando lentamente e incompatibilidades com placas modernas. A Team Ninja se pronunciou publicamente, prometendo otimizações e lançando patches semanais. Ainda assim, muitos jogadores relataram dificuldades para rodar o jogo com estabilidade em configurações altas.
Visualmente, embora artístico, o jogo foi criticado por gráficos abaixo do padrão esperado para a nova geração. Comparado a títulos como Ghost of Tsushima ou Elden Ring, Rise of the Ronin parece menos polido — especialmente em áreas mais abertas.
No entanto, esses pontos não apagam a alma do jogo. A ambientação histórica, o combate visceral e a narrativa ramificada tornam Rise of the Ronin uma experiência significativa, especialmente para quem valoriza jogos com conteúdo emocional, relevância histórica e liberdade de escolha.
Liberdade, redenção e legado
No fim das contas, o que move Rise of the Ronin é a jornada humana. Não importa se o jogador escolhe ser herói ou vilão, revolucionário ou conservador. O importante é que cada ação reverbera, cada missão tem peso, e cada combate deixa marcas.
A metáfora do ronin — um guerreiro sem mestre, sem pátria, sem destino — se conecta com o próprio jogador moderno, muitas vezes perdido entre extremos, tentando encontrar seu lugar em um mundo em constante mudança. E isso ativa um dos gatilhos mentais mais profundos: pertencimento através da escolha.
Quando o ronin, em meio às chamas de Kyoto, segura sua lâmina pela última vez, ele não representa apenas um personagem. Ele representa a luta de todo jogador por significado, liberdade e redenção. E nesse sentido, Rise of the Ronin não é apenas um jogo: é uma história que você vive, escolhe e escreve com sangue, honra e memória.
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